Daí que vc nasce homem. E vc ouve do mundo durante um tempo que homem não chora. Além de tantas outras coisas que o mundo te diz, te (des)ensina, e te rotula. Seja homem! E o que é isso? E ai, desde criança, este pequeno homem vira represa. Imagina. E essa represa, enquanto se enche de choro não vazado, vai aceitando, e vendo o mundo com olhos da falsa superioridade masculina. E vc até não concorda no começo. Mas aceita. E a educação está aí, sendo maltratada, e te fazendo cada vez menos refletir, e cada vez mais copiar. Então copiei. Copiei na escola, com os amigos, família, televisão. Copiei falas, gestos, falsas verdades. Assim, simples. Trazendo minha parcela de culpa (pois bastava um "e se?" pra poder ver diferente). E vc se apaixona, e sem perceber, vê que está tratando a moça que vc se apaixonou do jeito que vc menos esperaria que fosse dolorido a ela. ("E se?"). Então a arte chega, te mostra vários "e se fosse diferente"? Mas outras moças passam, e vc, mesmo que questione a posse, ainda tropeça. E vc continua tropeçando ainda nos restos dos antepassados, fantasmas que regem muito mais desse mundo do que imaginamos. Então é difícil aceitar o rótulo. Pois Homem não chora. E esconde os sentimentos. E tem que saber dirigir, e precisa ser ciumento, e olhar as moças com olhos de ter. E deixa de ver que o amor é algo bonito é simples. O amor anda nas asas de um pássaro que voa livre. Pois é assim. É estar, não pertencer. E estar devia ser coletivo. De um amor coletivo. Mas o mundo te diz de novo, homem não chora. Não expressa. Copia e cola. Control C + Control V.
Daí que eu vejo esse vídeo.
E a represa enfurecida, que a gente vai guardando na caixa dos homens que não choram, resolve se manifestar. Violentamente. Como quem rasga uma roupa. Como quem aceita a parte humana. Aquela que se revolta com o que acontece com o mundo (nas mãos de tantos "homens"). E vê a sua incapacidade. Machista. Sou o primeiro, aquele que eu devia combater primeiro. E a represa rebenta. E eu chorei. Sim, chorei copiosamente vendo este vídeo, de perdas e de parcerias. E soluço sim um mundo diferente.
Um mundo onde eu possa chorar como um homem.
Cristiano Gouveia
terça-feira, 20 de janeiro de 2015
Eu sou poetisa, professora, escritora, metafísica e mediadora de Biblioterapia. Também adoro rock e Kung Fu.
"Seja quem você acredita ser.
Vivemos a Era das possibilidades,
Sejamos co-criadores da nossa realidade."
sábado, 13 de dezembro de 2014
GERAÇÕES
Antes de mim,
minha mãe.
Antes dela,
tantas outras.
Mães, mulheres,
avós, tias,
todas espírito,
todas coragem,
todas cargas,
todas carmas,
todas saudade,
todas solidão.
Todas elas,
todas eu,
todas nós.
Até, o dia,
em que o hoje se fizer ontem,
e eu, simplesmente,
deixar-me de ser
e me refizer nelas.
minha mãe.
Antes dela,
tantas outras.
Mães, mulheres,
avós, tias,
todas espírito,
todas coragem,
todas cargas,
todas carmas,
todas saudade,
todas solidão.
Todas elas,
todas eu,
todas nós.
Até, o dia,
em que o hoje se fizer ontem,
e eu, simplesmente,
deixar-me de ser
e me refizer nelas.
Lin Quintino
VOLTAS
Dou voltas, muitas voltas
com pensamento.
Olho pra dentro de mim,
escavo meus recantos.
Olho.
Mas, o olhar não me ajuda em nada,
pois o que acontece dentro de mim
ninguém vai ver.
Você não vai ver, porque
ver-me não é fácil,
transparecer não é o meu forte.
com pensamento.
Olho pra dentro de mim,
escavo meus recantos.
Olho.
Mas, o olhar não me ajuda em nada,
pois o que acontece dentro de mim
ninguém vai ver.
Você não vai ver, porque
ver-me não é fácil,
transparecer não é o meu forte.
Lin Quintino
FUTURO
O futuro é amanhã,
é o vazio de tudo,
o concreto de nada.
é o vazio de tudo,
o concreto de nada.
É o sonho que sonhamos,
a terra que semeamos,
o rio que se alaga,
a dor que se aprofunda,
a esperança alimentada.
a terra que semeamos,
o rio que se alaga,
a dor que se aprofunda,
a esperança alimentada.
O futuro é incerto,
o passado é pretérito
o presente é cheio de amanhãs...
o passado é pretérito
o presente é cheio de amanhãs...
Lin Quintino
quarta-feira, 10 de setembro de 2014
RETÓRICA
COM SABOR DE FRUTA NOVA
Turistas e amantes de tua beleza
enchem teus bares de muitas riquezas
Trocas culturais e grandezas
Sambas, jazz, rock, qualquer som de pura magia
E lá embaixo, na zona sul, rica do Rio
já começa o colorido cinzento
do abismo entre a pobreza e a riqueza,
herdadas do tempo colonial,
dos negros fugidos aos morros,
para sobreviverem do chicote
ou da penumbra de uma liberdade em
exílio,
já que a Lei assinada pela Princesa Isabel
não passou de um engodo
favorecia somente aos imigrantes brancos
que aqui chegaram para branquear a nação
negra
Amo também esta nossa história,
tão recente quanto injusta.
E cabe a mim em prosa ou em versos
Desta sina que propago
Ler às avessas
criar um novo testamento de lucidez
uma retórica com sabor de fruta nova
pois que bem sei é lá no morro
que mora a sapiência
de se viver com o pouco que se tem
com alegria e samba nos pés
Com muito amor e paz no coração!
Ah... Você me diz
É lá que estão os Comandos de Tráficos
As lutas entre a Polícia e os chefões
Mas é lá também que mora a solidariedade
Os negrinhos descamisados e sem livros
Onde a bola rola sob os pés!
Somente um banho de cultura
regado à Educação e à dignidade
É que pode aflorar a negação
por ser laranja das drogas
E emergir a liderança de
todos os bons cidadãos que por lá estão!
Liz Rabello
LIZ POR LIZ
Sou de São Paulo, Capital. Escritora por acaso. Professora por opção. Lecionei durante muitos anos e lia para meus alunos obras dos famosos e dos não tão famosos assim. Ao me aposentar já estava escrevendo. Pertenço a três Academias: ALPAS/RGS, ANLPPB/Campinas/ SP e ALP de São Paulo. Escrevo como quem salga páginas de tinta com lágrimas. Escrevo memórias, fatos reais ou fictícios quando a fantasia se une à realidade. Escrevo utopias, esperanças inatingíveis que só me servem para caminhar. Escrevo lutas, para me dar mais forças para guerrear. Uso armas palavras.
domingo, 24 de agosto de 2014
CHEGA!
Chega de filosofias vãs!
Não quero mais saber do coeficiente lógico da razão
predominante na vida
moderna! Eca!
Livros e livros de sapiência e erudição que legou-nos
progresso e
destruição, não!
Não me forcem a compreender a álgebra e a química usadas nas
engrenagens do sistema.
Minhas vísceras a rejeitam.
Prato indigesto de conhecimento controlado, padronizado
pelos ilustres
ditadores do consumo.
Não há razão para ser normal, por isso a loucura! Minha
grande amiga!
Páginas e páginas de poemas insanos, lúdicos, inebriantes...
ah!...
Comoventes... como o vento...
E onde os sentimentos? O amor? Onde a amizade? Onde, enfim,
a lealdade?
Não quero mais ouvir palavras que mentem, que me idiotizam
por dentro.
Já não sou mais (quem pensa),
Já não penso mais (quem sou).
Quero libertar-me da maldade.
Deixar a nave-mãe das destruições subliminares
Que reinam em lares e bares.
A minha loucura...
a esta sim tenho apreço.
E me comovo com o segredo
que ela me revela
- JUST BE YOU!!! –
longe da sanidade da vida moderna!
Mylla Ramos
Eu sou poetisa, professora, escritora, metafísica e mediadora de Biblioterapia. Também adoro rock e Kung Fu.
"Seja quem você acredita ser.
Vivemos a Era das possibilidades,
Sejamos co-criadores da nossa realidade."
Assinar:
Postagens (Atom)
